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O porteiro do ministério e a economia do conhecimento

O porteiro do ministério

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Em 28 Março de 2014, o dr. Cavaco e a sua ‘santa’ Maria de Belém foram padrinhos do “casamento” de Nuno Crato com a população de Arronches – numa cerimónia cheia de “sentimento” e folclore, na escola primária da aldeia da Esperança.

Não faltou a fotografia para a posteridade – e para imprensa, microfones e câmaras – com o seu séquito presidencial, alunos e professores.

Uma festa, com o alto patrocínio dos padrinhos da noiva: D. Inércia e o BES, que, como é da tradição, pagaram a boda e ofereceram as fotos e os vídeo tapes. E que aos brindes receberam, como era de justiça, os agradecimentos e os parabéns dos convivas – devidamente saudados com os bolds das tipografias, os ecos das antenas e as altas definições da tv por cabo.

Durou a festa, não os 3 dias dos casamentos ciganos, mas – parece que foi ontem – 3 meses.

3 meses foi quanto bastou. Passados que foram, a Escola da Esperança (que raio de nome lhe haviam de arranjar!) teve honras de ser incluída na lista negra do ministro Crato. Vai ser encerrada. Acabou-se a festa. Os alunos vão para uma escola a 10 km. Que ainda não começou a ser construída.

Em post de uma rede social, leio hoje:

“Dir-se-ia que foi uma foto de despedida e com características de puro sadismo; ninguém os mandou serem crianças, alentejanos e viverem numa aldeia que com um desplante intolerável, tem o nome de Esperança. Só falta o ministro vir dizer que quem tomou a medida foi o porteiro do ministério.

Gostava de saber se esta mesma gente terá a coragem de ir lá explicar que este acto foi em prol da excelência do ensino. Mas se lá forem não se esqueçam de levar o batalhão da polícia de choque.”

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A economia do conhecimento

Vamos lá ao liberalismo de pacotilha: tudo o que é Estado é horrível, tudo o que é privado é o nirvana. Há quanto tempo ouvimos isto? O Estado é desperdício, os privados são benefício.

Os privados são ciência, o público é doença - acabei de inventar esta. Na verdade, juntar banalidades assim é algodão-doce. Atacar o sistema público é mais fácil do que criticar a empresa de um dono só. O Estado, mesmo quando serve bem, quando atinge os objetivos, quando ajuda, facilita, surpreende e até salva, raramente obtém em troca simpatia duradoura. Há mesmo quem confunda Estado e governo - daí a dupla desconfiança. É verdade, já foi pior. Em tempos, nem o Serviço Nacional de Saúde era creditado com a segurança que nos oferece diariamente sem sequer pensarmos nisso - a rede existe, está lá, e isso é política e socialmente extraordinário.
citação integral de
André Macedo, in Dinheiro Vivo o
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E, no entanto, o Estado, devendo realmente sair de grande parte da economia mercantil - embora reforçando o músculo regulatório -, não pode abandonar todos os sectores às forças do mercado, designadamente abster-se de ser a força motriz de uma certa parte da economia do conhecimento. É sobre este tema que escrevemos nesta edição. Fora de Portugal, há um debate intenso sobre o tema. Há académicos que têm recolhido factos, estabelecido relações de causa-efeito de modo a ajudar a definir políticas públicas capazes de viver nesta atmosfera rarefeita das limitações orçamentais.
Não faz sentido apoiar tudo o que ande por aí de bata branca. Não é razoável ter bolseiros vitalícios. Mas é vital aceitar como premissa-base que sem o empreendedorismo do Estado não teria havido internet, GPS, nanotecnologia, isto é, iPhone, uma série de medicamentos espantosos e outras maravilhas como o algoritmo do Google. Sem a investigação inicial (a mais arriscada), paga por dinheiro público, não teríamos nada disso. Portanto, é isto: queremos ter uma hipótese neste mundo ultracompetitivo ou acreditamos que o conhecimento nasce quase de geração espontânea numa garagem no meio do nada?