Uma moção de censura
apresentada no Parlamento de maioria governamental tem resultados previamente conhecidos: 1. A maioria supera-a e dá "como sinal ao exterior" mostras de que ainda está viva; 2. Os partidos da maioria, que praticamente não conseguiram votos populares para somarem aos tradicionais 20% dos caciques de autarquias, priores e lares, superam a notícia da sua própria morte e da 'nova' Europa do capitalismo desumano, trazida pela realidade a 25 de Maio; 3. "Revoga-se" a posição de vitorioso no momento político - ontem era o PS, depois da moção será a maioria PSD/CDS.
Sabido que destes 3 essenciais resultados só o último interessa efectivamente ao PCP, parece claro que a apresentação da moção de censura - que Passos já espera ansiosamente - tem como único objectivo visível acentuar a derrota dos socialistas e como único alcance prático a repetição do 'favor' que à extrema direita foi concedido na votação do PEC IV. Em suma e muito concretamente, Passos & Portas recebem o tónico, de moção em moção. E, na tranquila companhia da Austeridade, gozam - na cara do PCP e na dos portugueses.