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A crítica fácil e a realidade

A crítica fácil e a realidade

PERGUNTA-ME UM JOVEM, em comentário no Facebook:
"Para além da crítica fácil, qual é a tua opinião para alterar o
que está feito?, mas que seja válido e não ídeologia política."


Não sei fazer mais do que o que é 'fácil' de ver, Tiago Dias.
Na verdade, o mais fácil - pelo menos para mim - é basear-me na Ciência Económica (designadamente ouvindo os conselhos de TODOS os laureados com o Nobel que estão vivos e se pronunciam sobre estas matérias), para além, claro, de os compaginar com os ensinamentos da História e da Sociologia - também fáceis de encontrar nos tratados, que dizem todos eles o mesmo: quem faz a economia de uma sociedade são as populações - as populações que, tendo vida estável, fazem compras no comércio e asseguram a vida dos comerciantes, que por sua vez fazem compras na indústria e a desenvolvem, que por sua vez canalizam os lucros para criar postos de trabalho e assegurar empregos e salários que permitem às populações fazerem as tais compras que dinamizam o comércio e a indústria..
É claro, também, que eu sei que isto é Economia pura e simples - e, portanto, FÁCIL para fundamentar uma crítica fácil. 



Tão fácil, que um dia destes desafiei um antigo aluno meu de Economia (hoje director de um dos maiores fundos financeiros do País) para me contrapor o que achasse e ele me respondeu, da profundidade da sua crítica 'difícil':
"Isso é não tomar em conta a questão da ideologia política, porque falar apenas nesses termos é querer que todas as pessoas tenham acesso ao controlo da vida da sociedade, o que retiraria o estímulo do grande impulso das sociedades modernas, que é o risco nos mercados financeiros (especuladores, portanto), risco esse que só se assume se o Poder Político garantir que o risco vale a pena, isto é, que quem arrisca milhões para por os mercados em movimento tenha a certeza de que o rendimento desses milhões regressa para si e não fica pelo caminho, a financiar a Saúde, a Educação e a velhice de quem não arrisca nada nos mercados".
Eu bem queria não meter ideologia nisto, Tiago Dias... Mas os homens que têm os milhões e mandam fazer leis que os protejam (e para isso impeçam a riqueza de chegar aos outros) não aceitam que se deixe a ideologia de lado. Porque, nesse caso, quem é que os protegia? Se não nos obrigassem a trabalharmos quase de borla e pagarmos altos impostos, de onde viria o dinheiro para remunerar os "mercados" que jogam milhões - e para remunerar os empregados que os banqueiros e financeiros põem no poder político para fazerem as leis que lhes asseguram continuarem a ser poderosos e bem pagos por banqueiros ricos?
Eles têm, na verdade, uma vida muito difícil. Porque deve ser mesmo muito difícil inventar palavreado para fintar a Ciência Económica e a Ciência Política, para dizerem que governar uma Nação é saber pô-la a passar fome a a morrer de miséria para os apostadores nos mercados especulativos poderem jogar os seus milhões e ganhar biliões...
E eu só posso fazer a crítica fácil, a mais fácil que existe: a da realidade...