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Sonho à esquerda, pesadelo de todos

Sonho à esquerda, pesadelo de todos
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(...) O BE e o Manifesto 3D associam-se para uma plataforma comum nas eleições europeias. Fica claro que há só um partido em jogo: BE. A cabeça de lista é a figura política mais notável da nova geração: Marisa Matias. O segundo nome é Manuel Carvalho da Silva, um dos políticos mais dignos e a quem mais devemos nestes últimos 40 anos. Uma lista forte, munida de uma alternativa que devolva a dignidade aos portugueses, pode atrair parte do eleitorado do PS.
Perante um resultado medíocre nestas eleições, o PS agita-se internamente e elege um novo secretário-geral, António Costa. Costa abandona, por agora, o refúgio-armadilha a que o PS o quer condenar (a Presidência da República) e lança-se numa campanha forte e decidida que arrasa o PSD-CDS nas legislativas. Se não tiver maioria absoluta, estará disponível para uma aliança com o BE, que finalmente terá dado uma prova de maturidade política, ao agregar em vez de desagregar nas eleições europeias.

Começa assim um novo ciclo político. As condições iniciais serão difíceis. As agências de rating, a Comissão Europeia, e o FMI farão chantagem (o papão do risco político) mas uma liderança forte saberá construir alianças, convencida de que, ante os sinais cada vez mais perturbadores de desagregação (agora na França e logo depois na Itália), a Europa, ou se reinventa com coesão, ou desaparece como entidade política. Para as eleições presidenciais abundam nomes, tanto à direita como à esquerda, e qualquer deles brilhará depois da desertificação cavaquista. À luz da nossa história recente, tudo isto é sonho. Por isso, tantos portugueses vivem num pesadelo.
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Boaventura Sousa Santos, Visão, ontem