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Este paraíso que é um inferno...

Este paraíso que é um inferno...

O QUE É QUE Ângelo Correia, um dos ‘históricos’ do PSD, tido como decisivo na ascenção de Passos Coelho à liderança, espera do congresso do partido que hoje começa e cujo lema é “Por Portugal Tudo”?
Interrogado pelo JN, ele responde: “Nada”.
Que terra incógnita existe entre este ‘tudo’ e este ‘nada’?
A dúvida cresce quando se lê na página seguinte do mesmo JN a fórmula ensaiada por Luís Montenegro:
x x x x x “A vida das pessoas não está melhor,
x x x x xx mas o País está muito melhor”.
Na entrevista de Montenegro ao JN é dito que “não há nenhuma clivagem ideológica ou de diferença de visão sobre o País entre Manuela Ferreira Leite e Passos Coelho, mas apenas divergência quanto à consolidação das contas públicas e ao ajustamento”…
O líder parlamentar afaga as tensões e desmente roturas determinadas por pressupostos geracionais. “Há novos protagonistas” – diz ele – “é a lei da vida”.
Os protagonistas, as pessoas, o País, o tudo e o nada. Foi isto no mesmo dia em que Eduardo Lourenço lamentou que a Política já não seja real. “Tudo se passa na televisão” – disse ele – “ as intervenções dos comentadores na televisão são mais importantes do que a realidade”.
Tudo se passa aí, nessa terra de ninguém, onde se discute a indefinida diferença entre a vida das pessoas e a vida do “País”, entre este ‘tudo’ e este ‘nada’.
Talvez por isso, ao questionar a sinceridade de alguma euforia recente, Manuela Ferreira Leite tenha dito: “Há muito teatro!”

* A Indefinida Diferença, 'Sinais' de Fernando Alves, TSF, hoje.
(transcrição integral)