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A memória dos 5 a 3

O esplendor dos 5 a 3 e o sucesso no emprego

Pelas minhas contas, estarão ainda vivos 300 mil portugueses que em 1966 tivessem idade escolar. Rezam os arquivos do INE que, desses, uns 100 mil tenham tido a sorte de frequentar a escola. É de estimar que 60 mil gostassem de futebol e será certo que 6 mil tivessem acesso ver televisão – mas pelo menos 3 mil teriam por Eusébio uma tal afeição que os levasse a arriscar umas palmatoadas por faltarem à escola naquele sábado à tarde, um sábado igual a qualquer outro sábado de julho, mês igual a outros 10 meses de calendário escolar (que agosto era mês de os colégios fecharem para banhos).
O que me pergunto é se entre estas 3 mil testemunhas haverá uma dúzia de homens que, com as consensuais aldravices e as irrevogáveis recalibragens que por aí vão, entre os cortes e os roubos e os BPN’s e as Tecnoformas e as Coelheiras e as Martifer’s e a miserável miséria em que tudo isto anda, tenham ainda palermice bastante para querer saber onde é que um futuro ex-primeiro ministro terá visto os ‘Magriços’ espetarem 5 a 3 à Coreia. Mesmo que seja o ex-primeiro ministro que mais tempo perdurou a tirar o sono aos sonâmbulos.
Mas vá, admito que numa lide com 3 mil testemunhas se encontre uma dúzia de aluados. E logo desdramatizo: “que diabo, são 0,4%, o que, para não dizer que não é nada, é uma reles treta de número, uma caca de taxa percentual”.
O raio é que acabo por descobrir que por metade dessa merdice de percentagem anda meio mundo em espaventosa euforia. Não será meio mundo… mas é, seguramente, meio Rilhafoles!