Foi o ano da crise. Não importa ter sido apenas mais um ano da mesma crise. Este
foi um ano em que a crise foi maior – mais crítica – que nunca.
Porque se denunciaram maiores e mais evidentes as verdadeiras causas e a verda-
deira essência do que é verdadeiramente a nossa crise. O poder foi mais corrupto.
Mais corrupto na corrupta (anti-)economia financista, mas sobretudo mais corrupto
na idoneidade. Na idoneidade ética, mais do que em todas as inidoneidades. Os que
têm posse do poder foram mais incompetentes, mais mentirosos, mais manipuladores.
Usaram mais e abusaram ainda mais do vale-tudo. Da insensibilidade pela debilidade
própria, da indiferença pela fraqueza colectiva. Do despudor na destruição, mercena-
rista e mercenária. Mercenarista contra o plural e o adversário, mercenária pelo ódio
à Nação e a traição à Pátria.
Mas não parou o Mundo. Nem se deteve a evolução da Humanidade.
A seguir? A seguir, pior é impossível. A seguir há-de vir o brilho, só pode vir o
rebrilhar da luz que continua na centelha que resistiu.
2013 não terminou ontem. Mas 2014 não começa hoje do nada.
O Futuro continua por aí.
Positivismo
História – Nelson Mandela.
Inscreveu definitivamente na eternidade a prova de que o Homem é um ser íntima e estruturalmente bom. Mais do que uma Nação, mais do que um País, mais do que um Continente, Madiba libertou pelo exemplo a espécie humana. Mostrou-a livre das amarras do individualismo egoísta e do rancor competitivo e emulacionista - de uma prisão, afinal, que na era da sua vida se fortificou e que no mundo do seu tempo parecia já um cárcere inexpugnável.
Inscreveu definitivamente na eternidade a prova de que o Homem é um ser íntima e estruturalmente bom. Mais do que uma Nação, mais do que um País, mais do que um Continente, Madiba libertou pelo exemplo a espécie humana. Mostrou-a livre das amarras do individualismo egoísta e do rancor competitivo e emulacionista - de uma prisão, afinal, que na era da sua vida se fortificou e que no mundo do seu tempo parecia já um cárcere inexpugnável.
Personalidade Política – Papa Francisco I.
Dando sinais de não virar a cara ao passado sinistro e ao presente obscuro da instituição mais poderosa do mundo, o novo titular do trono de Roma assumiu o seu pontificado com uma preocupação de exemplo e de enfoque na consciência humana que reacende a luz da Doutrina Social Cristã e faz renascer a Esperança muito para além da ainda numerosa comunidade que dirige. Pode ter prometido metas que não conseguirá cumprir (como a afetação de parte do imenso tesouro do Vaticano ao combate da miséria no mundo) mas já conseguiu entusiasmar uma juventude que tem estado em visível desilusão – o que pode ser um importante passo para manter nos católicos a memória de João XXIII e de João Paulo II.
Dando sinais de não virar a cara ao passado sinistro e ao presente obscuro da instituição mais poderosa do mundo, o novo titular do trono de Roma assumiu o seu pontificado com uma preocupação de exemplo e de enfoque na consciência humana que reacende a luz da Doutrina Social Cristã e faz renascer a Esperança muito para além da ainda numerosa comunidade que dirige. Pode ter prometido metas que não conseguirá cumprir (como a afetação de parte do imenso tesouro do Vaticano ao combate da miséria no mundo) mas já conseguiu entusiasmar uma juventude que tem estado em visível desilusão – o que pode ser um importante passo para manter nos católicos a memória de João XXIII e de João Paulo II.
Instituição nacional – Tribunal Constitucional.
Continuou a aplicar a lei, apesar de tudo. Ainda existe, apesar de tudo.
Continuou a aplicar a lei, apesar de tudo. Ainda existe, apesar de tudo.
Personalidade Nacional – Mário Soares.
Dividida em indignados, emigrados e jotinhas, a juventude portuguesa sobreviveu pela voz de um estadista de 90 anos.
Sobrevivente – José Sócrates.
Atrás de mim virá... E veio!
Dividida em indignados, emigrados e jotinhas, a juventude portuguesa sobreviveu pela voz de um estadista de 90 anos.
Sobrevivente – José Sócrates.
Atrás de mim virá... E veio!
Analista Político – Pacheco Pereira.
Desenvolveu a análise dos princípios da social-democracia liberalizante que conseguiu o ódio de todos os liberais anti-democratas até então seus correligionários e a admiração de todos os anti-liberais até então seus adversários.
Desenvolveu a análise dos princípios da social-democracia liberalizante que conseguiu o ódio de todos os liberais anti-democratas até então seus correligionários e a admiração de todos os anti-liberais até então seus adversários.
Desporto – Rui Costa.
De um país de estrangeiros bastardos e estrangeirados expatriados nasceu um campeão do mundo – sem votações, nem lobbies, nem arranjinhos.
De um país de estrangeiros bastardos e estrangeirados expatriados nasceu um campeão do mundo – sem votações, nem lobbies, nem arranjinhos.
Futebol – Cristiano Ronaldo.
É o melhor do mundo e é nosso.
É o melhor do mundo e é nosso.
Ironia
Irrevogável nulidade – Paulo Portas. Tentou mentir à História jurando sair do Governo. Depois negou-se - irrevogavelmente.
Cosmopolitismo – Consórcio ‘Os Amigos de Cavaco’. Sede em Belém, sucursal em Cabo Verde, sócios em Angola, parceiros na China, assessores no Brasil, negócios nas Ilhas Cayman, contabilidade na Suíça, patrões em Nova Iorque, capatazes em Berlim, staff e núcleo duro na Sicília.
Feitiçaria – Ultra-liberais portugueses. Pela criação e implementação de uma espécie de “ultra-liberalismo de estado” em que o Estado se apaga no campo das despesas sociais e se enormiza no plano das receitas destinadas a sustentar o capitalismo empresarial e para-monopolista.
Metaciência – António José Seguro. No ano de todas as contradições do Governo, adormeceu a Oposição em seis meses de silêncio, em julho foi o primeiro-ajudante no golpe de estado de Cavaco que ficcionou a “ressurreição” do governo auto-decomposto, e em dezembro propôs e subscreveu a primeira medida fiscal de eliminação da democracia social. Um ano que, em síntese, o instituiu como “tira-nódoas” do troikismo e fez dele uma espécie de fenómeno político-químico: o tira-nódoas é mesmo uma nódoa.
Ex aequo – Vitor Gaspar e Paulo Portas. Um ministro que sacrificou a honra para safar a vergonha – e outro que sacrificou a vergonha para safar a desonra. Ambos sacrificaram a Nação para safar negócios, razão por que não se desfaz a igualdade.
Ironia das Ironias – Cavaco Silva. Teve residência oficial e honras de chefe de estado num país sem Presidente da República. Não viabilizou a maior associação de malfeitores da história económica portuguesa sediada no BPN, que não tinha ajudado a fundar, não comparticipou na fraude de acções nem colheu dividendos dela, não protegeu os criminosos da maior fraude da História da Democracia Portuguesa, que não tinham sido seus ministros nem acólitos nem conselheiros. Não conspirou contra um Governo legítimo, nem incitou ao seu derrube, nem alimentou campanha caluniosa para provocar eleições antecipadas. Não manteve um governo ilegítimo, nem o apadrinhou, nem sonegou as suas malfeitorias. Não patrocinou nem executou um golpe de Estado quando um governo incompetente e corrupto de desmoronou. Não colaborou na venda do País a interesses ilegítimos, nem forçou à rendição da Nação, nem traíu a Pátria. Este presidente nunca existiu.