Concluí hoje a 10ª avaliação
do teu comportamento, ó tanso!
Concluí a décima avaliação de uma treta que funciona assim:
1. Primeiro descobri que tinhas em tua casa, no meio da tua imensa filharada, dois ou três filhos anormais do interior da caixa craneana e emporcalhados da alma. Arranjei maneira de os colocar - lá dentro da tua casa - a falarem como se fosse em teu nome. A falarem comigo, claro. A falarem de negócios, claro. Dos meus negócios claro.
2. O 2º passo foi fácil. Os falcatos-idiotas deram-me a chave da tua casa.
3. A seguir, ainda mais fácil. Procuraram tudo o que tinha valor na tua casa e passaram-mo para mim. Ao princípio ainda tivemos que invencionar uma aldravice de desvalorização (dos bens mais valiosos, claro), mas depois de ver a tua passividade dispensámo-nos de mais manobras - tudo o que era bom passou "para o lado de cá" (para o meu lado) sem mais explicações.
4. Com tanta facilidade, o resto foi 'canja'. Tanso como demonstraste ser, aceitaste que para eu ficar com os teus bens valiosos, ainda tinhas que me pagar. E decretei que me devias uns trocos (milhõezitos ou biliõezecos) por eu te ficar com os haveres. E emprestei-te dinheiro para me pagares. Como não tinhas dinheiro para me pagar o que era teu, dei-te alternativa: ou emigrares ou trabalhares de borla para os meus capangas, que destaquei para limparem a tua casa (de um lixo que criteriosamente lá mandei colocar - só para tu não ficares sem trabalho). Trabalhas para eles e eles pagam-me a mim o teu salário - assim podes pagar-me a dívida que contraíste pela venda dos teus móveis que me fizeste e tens de indemnizar.
5. E se até aqui foi 'canja', depois foi um gozo por a máquina a funcionar. A minha máquina. Aquela que era tua mas que tiveste de me vender - e de me pagar, pois. Trabalhas este mês para amortizar os juros (eu não podia gerir o teu dinheiro de borla, não é?), adiantas-me o teu salário do mês que vem, para amortização do capital que apliquei depois de o extrair dos tais bens que em tempos foram teus, e vá lá, ficas-me a dever os impostos que não consegues pagar. Mais tarde mos pagarás - e se te portares bem eu vou-os subindo suavemente.
É claro que corro o risco de tu morreres, ou abandonares a casa que foi tua, ou um dia acordares e dares um piparote nos falcatos-imbecis dos teus filhos que eu arregimentei para o meu negócio.
Para evitar esse risco, vou mensalmente fazer um exame à tua casa. Examino bem o que é que eu mandei fazer a mim próprio, digo que está tudo a correr bem - e que por isso é preciso continuar. Tu tens que me pagar o que te devo - não podes viver de dívidas. Podes morrer, mas desde que deixes a tua mulher e os teus filhos a trabalharem para eu acertar contas do salãrio com a dívida que com ele me pagam.
O exame corre sempre bem, é claro.
A propósito: fiz-te hoje o 10º exame. Verifiquei que continuas vivo e a trabalhar para mim, o teu salário é pouco mas chega para me pagares uma parte do que te devo pelos bens que te roubei. Deves-me cada vez mais, mas eu sou condescendente e prolongo a tua agonia de pagamento. De resto, se não ta prolongasse, de que viveria eu? Vamos lá continuar com esta 'ajuda' que te dou. Sou boa pessoa, porque sei que nunca ma pagarás. Mas confio - pelo menos enquanto na tua casa (na que era tua) houver qualquer coisita para me ires dando em pagamento.
Pois bem, queres saber o resultado do 10º exame? Passaste pá!
Desta vez - mais uma vez - passei-te!
Desta vez - mais uma vez - passei-te!
Põe os teus filhos a comemorar! Passaste no exame que eu fiz às minhas capacidades de por a tua casa a render para mim, com o teu trabalho. Deves-me muitíssimo mais, é claro - mas passei! Passaste, por isso mesmo. É assim a lei do mercado - e tu não discutes, porque quem sabe o que é o mercado sou eu, o mercado sou eu, a lei do mercado é a que eu ditar, a passagem no exame sou eu que ta dou.
Concluí a 10ª avaliação. Passei!. Continuemos, pois. Até que Deus queira e a mim me apeteça.
Recebe, português tanso, um riso escarninho, deste teu amo que nunca te esquece,
Troika Goldman Sachs & Cia