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Especialistas

Os "especialistas"...

Não falta dinheiro...

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A questão é a seguinte: Jorge Barreto Xavier, secretário de Estado da Cultura, departamento que não tem dinheiro para - como se costuma dizer - mandar cantar um cego e vai cortar 15 milhões de euros em despesas com pessoal, recrutou um 'boy' do PSD para o seu gabinete a quem vai pagar como adjunto. Ou seja, mais de três mil euros, mais do que ganha um diretor de serviços, ou, como escreve no Expresso João Garcia, "mais que juiz, o mesmo que coronel, o dobro de professor'. Fernanda Cachão ironiza que "afinal há dinheiro" desde que seja "money for the boys".
Mas o melhor, o melhor mesmo é o currículo do adjunto. Tem 24 anos, três workshops no centro de formação de Jornalistas, Cenjor, fez o estágio na Rádio Renascença onde trabalhou oito meses e foi durante cinco meses consultor de comunicação do... PSD! Uau!!

Acresce que Barreto Xavier, antes desta contratação já tinha três adjuntos, sete técnicos especialistas, duas secretárias pessoais, chefe de gabinete, dez técnicos administrativos, três técnicos auxiliares e três motoristas.
Falta dinheiro (salvo para os boys) mas há excesso de descaramento.
Digamos que se há algo que não falta é vergonha.
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Ferreira Fernandes, DN



... e a preciosa "liberdade de escolha"

Quase tão importante como os gigantescos lucros proporcionados pela barganha dos industriais do ensino privado com os compadres do poder, a chamada "liberdade de escolha" de escola, que dá às famílias ricas a possibilidade de financiarem os estudos dos filhos em colégios de luxo, tem um outro motivo: o acesso de meninos filhos de família a licenciaturas e canudos tipo Relvas - e o escancaramento dos outros canais de favorecimento das 'elites' no subir dos degraus do poder.
Os pais têm a liberdade de "escolher" mandar os filhos para colégios em que o Português e a Matemática contam menos que o ténis, o hipismo ou a natação em piscina coberta.
Os colégios têm a liberdade de escolher as vagas que têm para os meninos de família e não têm para o vulgar contribuinte.

Os meninos de família têm a liberdade de escolher as classificações que lhes dão acesso às universidades.
As universidades privadas têm a liberdade de escolher a classe e o património dos alunos que as financiem.
Os meninos de família têm a liberdade de escolher cargo público no aparelho de Estado, para retribuirem fidelidade a quem lhes ofereceu canudos preciosos e fáceis.
E o cidadão contribuinte tem a liberdade de escolher entre o analfabetismo e a frequência de escolas públicas atacadas de morte.
E, assim, os industriais dos colégios têm o direito a receber dos impostos de todos o financiamento da sua liberdade de escolha. E as escolas públicas têm o direito de escolher entre funcionar debaixo da agressão do Estado plutocrata e... fecharem as portas.