A CULPA É DO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL...
Sócrates lutou pelo poder com ideias políticas, governou com ideias de estratégia política (as dele, obviamente), lutou pela reeleição com ideias políticas e voltou à oposição com ideias políticas.
Num país com falta de ideias (e competências) políticas, o simples uso da palavra por ele incomoda - o império da absoluta falta de ideias políticas, pelo domínio das teorias financeiras (todas sucessiva e redondamente falhadas) que professam a 'religião' de que "quem tem dinheiro é que manda e se o Povo soubesse quanto custa mandar, obedecia sempre".
Por isso são as ideias dele combatidas, não com ideias, mas com o ataque à pessoa dele - com a única arma do ódio pelo 'papão' (as ideias são uma arma poderosa...) e da intriga sobre a pessoa dele. O que só lhe tem sobrelevado a importância.
Entretanto, o Governo alegra-se de estarem agora a crescer as importações... lançadas por Sócrates, ou de estarmos (a partir do mês passado, segundo o social-democrata "Expresso") com quase 100% de autonomia de energias renováveis - as tais que ele lançou a toda a força e contra todos os insultos da direita.
Enquanto tudo, o Presidente da República, no dia em que chegou ao extremo a maior e mais patética crise de vazio de poder, declarou que nesse dia só falava das refeições que ia tomar e dos enchidos e laticínios portugueses (que em 1990 destruíu a favor dos franceses e só foram restaurados com o Governo de Sócrates).
É o que temos para escolher.
MOMENTO DE IR PARA A FRENTE
A frustração, no passado, de uma aproximação dos partidos que podiam englobar uma "esquerda larga" foi resultante de enquistação de todas as três forças (PS, PCP e BE) – cada uma a seu tempo e cada uma pelas suas razões ou pela sua falta de razão.
Chegado o País ao momento mais crítico da História da Democracia no que respeita aos três pilares 'técnicos' deste regime (competência, honesto sentido de serviço patriótico e humanismo social) há uma faixa comum, muito mais larga e muito mais imperativa, a construir na esquerda: a defesa da decência – isto é da equidade social, do progresso político, da justiça.
Tal como em 1974, a ferocidade do inimigo comum exige frentismo pela defesa do mais importantemente ameaçado.
Francisco Louçã já deu o mote – e André Freire retomou esta noite ('Prós e Contras') a metodologia – da discussão, profunda mas urgente, das bases comuns dessa Frente, como alternativa de poder.
E a verdade é que a questão é tão simples e tão profunda como isso: o Poder.