12.Mar.2012 - CARTA DE UM AMIGO"Último segundo de jogo.
Guarda-redes contra guarda-redes.
Empurrada pela cabeça de um, lá vai a bola, parada à velocidade da luz, embater ao de leve (como tinha de ser) na mão do outro (do nosso). O suficiente para não ser golo e tudo acabar bem.
E, A., tendo olhado o jogo a pensar em vocês - como praticamente tudo o que tenho feito nos últimos tempos --, aqui te deixo, neste momento épico, naquela mão salvadora, a metáfora do que vai ser. Do que tem de ser! Do que só pode ser!
Porque é impossível que seja doutra forma. O querer pode muito!, pode tudo!"
---------------------------------Empurrada pela cabeça de um, lá vai a bola, parada à velocidade da luz, embater ao de leve (como tinha de ser) na mão do outro (do nosso). O suficiente para não ser golo e tudo acabar bem.
E, A., tendo olhado o jogo a pensar em vocês - como praticamente tudo o que tenho feito nos últimos tempos --, aqui te deixo, neste momento épico, naquela mão salvadora, a metáfora do que vai ser. Do que tem de ser! Do que só pode ser!
Porque é impossível que seja doutra forma. O querer pode muito!, pode tudo!"
Que mais é a Vida do que uma figura de estilo, Caríssimo Rogério?
Neste percurso que alguns lobrigam com olhos da raridade dos teus, travar uma contenda é saber usar sempre a última arma. Essa que, acolhida na palavra que os tímidos evitam, os perversos hipocritizam e os néscios desdenham, forma a única corrente de energia magicamente libertadora. Essa que Camões pôs em melodia de soneto, Cervantes cavalgou por entre os moinhos, Shakespeare entronizou na eternidade.
A última arma, por natureza e definição defensiva, é o que tu chamas ‘querer’. E sente-la na palavra certa – que ela não é mais do que o querer bem, o muito querer, o querer mais que a tudo.
Lá está ela, a ‘nossa’ arma defensiva, benévola e benfazeja, olhando de frente o adversário que, de pardo (re)vestido, pára de ser poderoso, deixa de jogar em casa, verga ante a força do tempo que o nosso bem querer conquista. Porque a camisola do nosso guardião, cinzenta e escura aos olhos do nosso agressor, vemo-la nós com o número da vitória, da cor do campeão de todas as corridas – e é assim que ela é, na verdade da Vida. Da Vida que os nossos olhos vêem, a única vida verdadeira, pela segurança da última arma, a arma que as mãos apertadas amolecem do peito para detrás da retina dos olhos com que conduzimos o Destino. E eles fitam a Vida – e a Vida é o que eles fazem dela.
Como na parede da caverna de Platão, o nosso olhar colocou aquele guardião, vestido da cor que o nosso olhar lhe deu, ordenado pelo número que o nosso querer lhe escolheu, a estender a mão que o nosso Amor lhe acrescentou. O que na realidade aconteceu? Tudo o que o ‘nosso’ ser projectou – não espectralmente, mas realmente.
A Vida é afinal ou ainda mais que uma metáfora – é uma alegoria. Parónima da Alegria.