Um grupo de 18 investigadores, economistas e historiadores, publicou em livro o estudo que conclui que o Estado Social é integralmente pago pelos trabalhadores – e até tem lucro com isso. Os descontos e impostos tributados sobre o trabalho “pagam o suficiente para todos os gastos sociais do Estado”, demonstram os investigadores, com os números preto no branco.
Com base nos dados reais do INE e do Eurostat, os investigadores põem a claro o sistema de finanças português: os impostos pagos pelos trabalhadores são postos à disposição dos grandes capitalistas, através da ficção que é a chamada ‘dívida pública’.
Com a dívida pública o Estado emite títulos e por eles paga uma boa renda fixa aos capitalistas. O problema é que essa renda fixa é paga com o dinheiro recebido dos impostos. “Isto num país em que os trabalhadores recebem o equivalente a 50% do PIB, mas da massa total de impostos que entram no Estado, 75% vem do rendimentos dos trabalhadores e não do capital”.
Entre muitos exemplos, os investigadores citam o que se passa na Saúde: mais de metade do que os portugueses pagam para o serviço nacional de saúde é transferido para hospitais de gestão privada.
Eis o que o livro “Quem Paga o Estado Social em Portugal?” põe a nu:
“É um capitalismo sem risco. Não é aquela ideia do capitalista empreendedor que corre riscos para ganhar lucro. É a ideia do capitalista que não vive sem a cobertura do Estado. (…) As grandes empresas vivem à conta dos impostos do Estado. Ou seja, não sobrevivem nem têm lucros se não contabilizarmos a massa de valor que é transferida para estas empresas através de esquemas, que são muitos”.
