Questionam-me agora a ironia. Questionam os que me questionam sempre. Agora, que aí vem 2013, questionam-me pelo sorriso com que os encaro.
Digamos que isto de tentar ver algo de real na ironia de vida que nos servem é uma questão de sobrevivência: Aprendi com as crianças que quando não podemos limpar o lodo que nos cerca por todos os lados, resta-nos bater os pés e escarnecer a perversão dos que nadam nele...
É verdade que esta 'defesa ativa' tem os seus quês: o lodo não desaparece, os mergulhadores do imenso pântano especializam-se cada vez mais a viver e pescar nele, o nosso bater de pés precisa de forças que nem sempre perduram, o nosso sorriso é muitas vezes (demasiadas vezes) contrastado com a porcaria que atinge outros, que não sabem ou não querem nadar no lodo mas levam com ele em cima - e até com a tentação de muitos em aprenderem a mover-se no lodo para não serem afogados por ele.
É verdade, sim. Mas é precisamente por isso que os preocupados cidadãos, querendo ser apenas isso mesmo, aceitam dar um dia o peito às balas e intervir nas instituições políticas - onde são recebidos como intrometidos, está visto.
É que, hoje em dia - terá sido sempre...? - a atividade e o pensamento políticos são um caso muito sério. Onde há do melhor e do pior. Onde há quem lute por proporcionar oportunidades e onde há quem lucra com o oportunismo. Onde é tão injusto contribuirmos para o esmorecimento de quem luta por oportunidades para outrém como consentirmos quem lucra com o oportunismo. As margens do charco e o próprio pântano - onde sobrelutam umas quantas formigas laboriosas e onde medra uma multidão de varejeiras parasitas.
O grande problema tem sido encontrar um desinfectante que saneie as varejeiras sem envenenar as formigas. Entretanto, é bem certo que a proliferação da trampa vai engordando as varejeiras e sufocando as formigas...