Receio que já não dure muito esta minha folga de gáudio em tempo de depressão colectiva.
Duas horas à antiga portuguesa, sentado no sofá a dar pontapés na atmosfera, já valeram a pena. Que em matéria de futebol eu sou do contra. Tenho um enorme complexo de frigidez quando veja a malta a quase se envolver em zaragata por causa do desaire do seu clube-de-coração (o penalty que foi fora da área, o fora de jogo que estava em linha, a linha escolhida pelo treinador que foi uma fraude, a fraude da arbitragem que é sempre contra os mesmos…). Não sei me dá pena ou vontade de rir, mas o sofrimento clubístico faz-me ser do contra. Eu gosto é de ver a Selecção de todos nós. A bola trocada com os pés, quando é bailado de samba, ou faena de 22 toros a deixarem 3 toreros na sombra, é um espectáculo em que acho rara beleza – mas quando é Pinto da Costa contra o rei dos pneus, e contra os dois os paranóides do “sistema”, e milhões para cá luvas para lá, isso são fintas sem bola demais para a disciplina táctica do meu sistema nervoso.
Com a Selecção é diferente. Vejo o cenário mais próximo da volta de honra da Rosa Mota, o ambiente mais parelho com o Nelson Évora a saltar mais longe, o estoicismo mais irmanado com a Vanessa Fernandes a multiplicar-se. E a bandeira e o hino a fazerem estremecer o sentimento de que vamos aonde os outros chegam.
[14.Jun.2012]
A Selecção é que é. Mas receio que já não dure muito esta minha folga de gáudio.
Os entendidos dizem que a Holanda já está fora e que nós estamos com um pé na fase seguinte (duas redondas ilusões, digo eu, até ver e segundo a lógica das coisas) e aí começo a ver o caldo entornado. Já chegou aos treinadores-de-bancada o tudo-ou-nada do “até os comemos” - e isso é mau presságio. Já volta a ser o Cristiano Ronaldo quem tem a culpa das desgraças todas da humanidade – e a coisa está mesmo feia. Afinal, o próximo jogo é com os holandeses e eles, ganhando, passam mesmo e passam-nos mesmo, ou eles ou outros.
A Selecção é que é. Mas receio que já não dure muito esta minha folga de gáudio.
Os entendidos dizem que a Holanda já está fora e que nós estamos com um pé na fase seguinte (duas redondas ilusões, digo eu, até ver e segundo a lógica das coisas) e aí começo a ver o caldo entornado. Já chegou aos treinadores-de-bancada o tudo-ou-nada do “até os comemos” - e isso é mau presságio. Já volta a ser o Cristiano Ronaldo quem tem a culpa das desgraças todas da humanidade – e a coisa está mesmo feia. Afinal, o próximo jogo é com os holandeses e eles, ganhando, passam mesmo e passam-nos mesmo, ou eles ou outros.
Ah!, mas nós temos o Cristiano Ronaldo, que se logo à noite o deixarem jantar com o Mourinho e o rapaz, com o ego de volta, puxa do génio no domingo, ai vamos lá, vamos!
Seja como for, eu gosto do Nani e do Pepe e do Moutinho e do Coentrão e dos demais. E aposto no Cristiano Ronaldo, claro.
