É uma volta ao mundo como outra qualquer, mas pode dizer-se que Francisco Elias foi a Hong Kong receber o Prémio Excelência (Hong Kong Design Award) na categoria livro porque John Lennon se apaixonou por Yoko Ono.
Pode dizer-se que esta história começou com Yoko Ono — porque é verdade. A associação P28 estava a escrever o guião do projecto de arte contemporânea Outdoor e decidiu convidar a artista japonesa a participar. “Ela mantém um registo muito ultrapassado e ao mesmo tempo romântico de não receber emails. Queria algo palpável, queria conhecer o projecto e por isso perguntou se a P28 poderia enviar algum catálogo, material promocional e até a cobertura da imprensa sobre alguns dos mais recentes eventos”, contou ao P3 Francisco Elias.
A má notícia desta história — Yoko Ono não quis associar-se ao projecto Outdoor — rapidamente se transformaria num final feliz. O livro, “design de autor, tiragem limitadíssima”, estava feito. E do outro lado do mundo alguém achou que não merecia ficar na prateleira.
Designer, talhante e ladrão
No dia 6 de Março, Francisco Elias, “'freelancer', isto é, trabalhador a recibos verdes”, foi a Hong Kong para a cerimónia internacional de design HKDA, tendo sido premiado com o prémio excelência. “Foi uma cerimónia ao jeito dos Óscares, uma massagem ao ego. Serve para aparecer à frente das pessoas”, sublinha o rapaz de 27 anos natural do Fundão — aproveitando para agradecer ao artista Artur Moreira.
“Não estava à espera de muito porque todo o trabalho foi desenvolvido com muito pouco dinheiro e meios”, prossegue Francisco, que normalmente não se apresenta apenas como designer gráfico. “Tenho muitas profissões. Porquê? Deixa cá ver! Sou um ladrão, porque roubo ideias — boas e más —, sou um talhante, porque retalho os meus problemas, sou um alfaiate quando junto as peças para contar uma história e sou o advogado das minhas ideias, defendendo-as até ao fim”.
* Fonte (transcrição parcial): P3/Publico
