“Ando desde o fim-de-semana a meditar transcendentalmente no que
será uma "abstenção violenta", conceito que, em boa hora, António
José Seguro introduziu na ciência política portuguesa para classificar (ou
desclassificar) a posição do PS quanto ao OE para 2012.
(...)
O conceito de "abstenção violenta", ainda por cima
"construtiva", levanta perplexidades q.b.. Irá o PS abster-se aos
gritos e partindo a mobília do Parlamento?, irá fazê-lo arrepelando os cabelos
(e convenhamos que tem razões para isso)?, ou Seguro quis dizer
"violeta" e não "violenta"? De facto, ao contrário de
"violenta", que sugere luta, "violeta" sugere
"luto". E "luto" parece palavra mais adequada do que
"luta" para qualificar a resignação (termo mais bonito do que
cumplicidade) do PS face a um Orçamento que Seguro acusa de conter
"medidas violentas e profundamente injustas" e de o ter deixado em
"estado de choque".
“
Manuel António Pina, Jornal de Notícias, 8.Nov.2011.