quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz

Religião nas Escolas


A questão da relação entre Estado e religião volta de vez em quando para cima da mesa - se é que algum dia de lá saíu - e ganha evidente atualidade sempre que se pensa nas profundas razões dos conflitos políticos e sociais nas mais diversas regiões do mundo. Luis Moreira deu disso eco em dois artigos que publicou na Pegada [O CRUCIFIXO NAS SALAS DE AULAS e LIBERDADE RELIGIOSA-2].
A propósito do último daqueles artigos, colocou-se a questão da igualdade de acesso aos diferentes cultos e de divulgação dos respetivos símbolos no interior das escolas.


Não vejo mal em que, num qualquer local de cada escola, haja um painel em mosaico com os diversos símbolos religiosos - sendo apenas problema saber se lá caberiam todos e, no caso de não caberem, qual o critério para saber quais os que ficariam de fora (já são tantas as religiões e tão complexas e estranhas algumas das doutrinas respectivas...).

Por outro lado, essa generosa abertura do Estado ao exercício da salutar liberdade religiosa deveria pressupor a mais elementar reciprocidade: Para os importantíssimos objetivos de dignificação da pessoa humana que o Estado prossegue (como a defesa da vida, da integridade pessoal, da saúde, da igualdade de direitos, do combate ao analfabetismo e à escravidão humana, etc.) deveriam os templos religiosos destinar igual espaço de destaque para a divulgação da permanente campanha em favor das ações e programas de elevação da dignidade do Homem e da fraternidade e mútuo respeito entre os membros da comunidade social.

A alternativa a esta elementar reciprocidade é a aplicação do princípio "a César o que é de César, a Deus o que é de Deus": As igrejas ocupam-se do culto da sua fé, e o Estado respeita a liberdade religiosa e é laico...