2011, este ano
Meia-noite sossegada, a sós com a minha cara-metade, o pensamento no João Pedro e no Miguel e os primeiros votos por telefone – obviamente para Viseu, Lisboa e Nova Iorque.
Depois, reviver o English Bar. Ambiente idêntico ao de sempre. Registo especial da história do Psychadelic Set e dos grupos musicais que fazem a memória da música pop no século XX fundanense – em conversa com o Nuno Francisco e o Vasco Paulouro, de que nasceu (proposta deles) o primeiro projecto cultural do ano; juntar os músicos fundanenses das várias gerações, numa noite de jam session. Aprovado sem discussão.
E cá está o Ano Novo, com começo em grande no “clássico” da discoteca, no sublime prazer do sofá e no (inevitável) arrumar de projectos e sonhos para 365 dias. Vi o amanhecer com uma serenidade que doou um sono profundo e feliz.
O mundo
LOCAL – A falcatrua nos concursos fantoches para admissão de pessoal na Câmara Municipal do Fundão. Não me saem da cabeça as barbaridades que encontrei durante uma semana de audição de queixas e depoimentos. Sou um ingénuo ou anda tudo louco?
NACIONAL – Começo o ano com um prognóstico muito positivo: reeleita em Março, Angela Merkel “agarra” o euro e apressa o fim do terrorismo financeiro da banca contra as dívidas soberanas. Fica à vista o fim desta maldita crise.
INTERNACIONAL – Estimulante Dia da Paz ouvido em português: Dilma Rousseff, no discurso da sua posse (com uma eloquência já rara nos políticos) fez-me seu admirador. Primeiríssima prioridade, o abnegado trabalho pela erradicação da pobreza extrema e a igualdade de oportunidades. O sonho de um Brasil desenvolvido e robustamente democrático. Bravissimo!
A música
A música, claro! Som da Abertura para Leonora (nº1) de Beethoven, reminiscência do êxtase recebido da Antena 2, no auto-radiante percurso para casa. Já em sossego, procurei a interpretação de Wilhelm Furtwangler (O.F. Hamburgo, gravação de 1947) e ouvi-a atento.
Ao amanhecer, som no máximo para recordar o melhor rock psicadélico: Emmerson, Lake and Palmer, Trilogy.
O voto
Primeiro pensamento, lembrança inspiradora do Belarmino Barata e, no orgulho da qualidade humana e cívica dos meus três filhos, a seguir à meia-noite a primeira mensagem escrita e legada ao meu filho primogénito :
“Cours, camarade, Le vieux monde est derrière toi!” (Maio 68)
A ler
Um deleite indescritível. Cumprindo o programa feito há anos, quando sedimentei a opção de José Saramago como o meu escritor de eleição: depois dos primeiros romances de que gostei (também eu tinha começado por não “atinar”) decidi que só leria O Ano da Morte de Ricardo Reis e Levantado do Chão depois de uma dúzia de leituras de Saramago. Na proximidade do Natal, “folheando” a prateleira lusófona da minha biblioteca, contei 12 romances já lidos – e coloquei as duas esperadas obras-primas na mesa de cabeceira. Li O Ano da Morte de Ricardo Reis e pensei que foi acertada a reserva. Hoje estou com Levantado do Chão – e o terço do livro que ainda me falta já não me fará mudar de ideias: esta é a mais saramaguiana obra do genial Nobel português.
A escrever
O Dicionário Quadratim. Letra E, já a pensar no F. Que gozo!
Outra vez a música
Mais do que talismã,mais do que indispensável pausa, o átomo maior no meu oxigénio: uns minutos ao piano.
Porque talismã, a Sonata nº14, Monschein, de Beethoven. Porque pausa, The Entertainer, de Scott Joplin. Porque oxigénio, uma passagem por melodias que têm saído do meu suor.
Este é mesmo o Dia da Paz.
Televisão
Lá pelas 5:30 da manhã, um zapping para fumar o cigarro da sossega. Na SIC Notícias, um dos melhores programas que já vi: um documentário sobre o Planeta Terra, esgotamento da água e aquecimento global. Fabuloso! Ainda gravei uma boa parte. Sou estúpido em me arredar tanto do pequeno ecrã…