quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz

Viva Solnado

Morreu o cómico português, a "fábrica de fazer rir" que mudou o humor em Portugal.
A última vez que estive com ele, em "A Filha da Cornélia", dedicou-nos (aos fundanenses) uma rábula que falava de António Guterres, um político de quem ele gostava. Gostava também do "meu" belenenses, que comparava ao PPM de Gonçalo Ribeiro Teles - porque tinha muitos simpatizantes mas poucos adeptos.
"O humor ou é fácil ou é impossível", dizia este coração bom que nasceu na Beira Baixa e amou o seu país como o verdadeiro palhaço, fazendo rir por cima da tristeza, com a coragem que não é para ser vista mas para dar o exemplo. A Guerra de 1908 ou A História da Minha Vida, imortalizadas nos 45 rotações que se encheram de riscos de tanto serem passados em família, foram o anúncio de que um dia haveria de chegar o Zip-Zip, marco da cidadania na radiotelevisão, marca do teatro capaz de envolver o público em abraço de um homem só.
Raul, homem simples e bom como todos os sábios, viu falhar-lhe o coração, que era o melhor que tinha. Parou com ele, num 8 de Agosto triste, mas quem sabe a sorrir finalmente, porque finalmente fez o país chorar.
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