
O compositor popular Arlindo de Carvalho veio ao Fundão comemorar os 60 anos de carreira, com um concerto em que cantou os seus maiores sucessos.
“Fadinho Serrano”, “Chapéu Preto”, “Castelo Branco” e todos os outros êxitos do compositor foram acompanhados por um público entusiasmado, na sua maior parte vindo da Soalheira, terra natal de Arlindo de Carvalho.
Foi significativa – e bonita – a participação do Grupo Coral da Soalheira, que o Prof. Arlindo Carvalho fundou e que é regido pela Prof. Ema Casteleiro.
Arlindo de Carvalho gostou de finalmente ter cantado no Fundão as cantigas que no estrangeiro fizeram o sucesso de Amália e tantos outros. Não deixou de referir que só de uma outra vez cantou no Fundão (há precisamente 40 anos e no Cinema Gardunha) num espectáculo de produção mais vasta e cuidada.
Não houve o indispensável ramo de fores, nem o elogio oficial. À cerimónia não compareceu o Presidente da Câmara; nem o vice-presidente, nem qualquer vereador. Nada como ao mais profícuo compositor popular português foi feito em Castelo Branco, na Guarda, em dezenas de cidades de Espanha, França, Alemanha, Estados Unidos, etc.. Nada disso, apesar de o artista estar na sua terra. Ou terá sido por isso mesmo?
O espectáculo terminou em apoteose: o público acompanhou o Prof. Arlindo a cantar com entusiasmo “OLHA A LARANJINHA QUE CAÍU CAÍU”, no poema popular que exulta os CRAVOS À JANELA E ROSAS A CRESCER”.
Arlindo de Carvalho foi menino na Soalheira e acabou de se fazer homem em Coimbra, onde aprendeu a ser professor.
Compôs alguns dos maiores êxitos de Amália, compôs para diversos cançonetistas (Gina Maria, vedeta da rádio nos anos 60, venceu o prestigiado Festival de Música Ibero-Americana com a canção “Tão longe daqui”, que o Prof. Arlindo compôs para ela), compôs sobretudo para o Povo. E levou a música popular portuguesa, na sua mais genuína raiz, a praticamente todo o mundo, em espectáculos que fez nos maiores palcos de Europa e América e com as dezenas de discos que gravou e tiveram larga edição no estrangeiro.
Foi durante o salazarismo sujeito ao exílio, mas a Revolução dos Cravos não se preocupou em “reabilitar” a sua música. Mesmo assim, foi cantado por Adriano Correia de Oliveira, Tonicha e Zeca Afonso, além de muitos outros.
Aos 80 anos, canta com a mesma qualidade e a mesma energia de sempre. Continua a compor, a dar espectáculos e a cumprir uma vida cívica e cultural exemplar.
17.Jan.2009