Chicago, E.U.A., 8.Nov.2008.
"Olá, Chicago! Se há alguém que ainda duvida de que os Estados Unidos são um lugar onde tudo é possível, que ainda se pergunta se o sonho dos nossos fundadores continua vivo nos nossos tempos, que ainda questiona a força de nossa democracia – tem esta noite a resposta.
É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de escolas e igrejas num número como esta nação jamais viu, pelas pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas delas pela primeira vez nas suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que as suas vozes poderiam fazer esta diferença.
É a resposta dada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, deficientes ou não-deficientes. Americanos que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos simplesmente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de estados vermelhos e estados azuis.
Somos, e sempre seremos, os EUA da América.
É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem cépticos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História e torcê-lo mais uma vez em direcção à esperança de um dia melhor.
Demorou um tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA.
Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do senador McCain.
O senador McCain lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pelo país que ama. Aguentou sacrifícios pelos EUA que nem sequer podemos imaginar. Todos beneficiamos do serviço prestado por este líder valente e abnegado.
Felicito-o a ele e à governadora Palin por tudo o que conseguiram e desejo colaborar com eles para renovar o compromisso desta nação durante os próximos meses.
Quero agradecer ao meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com o coração e que foi o porta-voz de homens e mulheres com os quais cresceu nas ruas de Scranton e com os quais viajava de comboio de volta para sua casa em Delaware: o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden.
E não estaria aqui esta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga durante os últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle Obama.
Sasha e Malia amo-vos mais do que podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que vai connosco para a Casa Branca.
Apesar de não estar mais connosco, sei que minha avó está a verr-nos, junto com a família que fez de mim o que sou. Sinto falta deles esta noite. Sei que a minha dívida com eles é incalculável.
A minha irmã Maya, minha irmã Auma, meus outros irmãos e irmãs, muitíssimo obrigado por todo o apoio que me deram. Estou-vos grato a todos. E ao meu director de campanha, David Plouffe, o herói não reconhecido desta campanha, que construiu a melhor campanha política, creio eu, da história dos E.U. da América.
Ao meu estratega chefe, David Axelrod, que foi um parceiro meu a cada passo do caminho.
À melhor equipa de campanha formada na história da política. Vocês tornaram isto realidade e estou eternamente grato pelo que sacrificaram para conseguir.
Mas, sobretudo, não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a VÓS. Ela pertence-vos.
Nunca pareci o candidato com mais hipóteses. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos apoios. A nossa campanha não foi idealizada nos corredores de Washington. Começou nos quintais de Des Moines e nas salas de Concord e nas varandas de Charleston. Foi construída pelos trabalhadores e trabalhadoras que recorreram às parcas economias que tinham para doar US$ 5, ou US$ 10 ou US$ 20 à causa.
Ganhou força dos jovens que negaram o mito da apatia da sua geração, que deixaram para trás as suas casas e os seus familiares por empregos que lhes deram pouco dinheiro e menos sono.
Ganhou força das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio gelado e o ardente calor para bater às portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários e organizaram e demonstraram que, mais de dois séculos depois, um Governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra.
Esta é a VOSSA vitória.
Além disso, sei que não fizeram isto só para vencerem as eleições. Sei que não fizeram por mim.
Fizeram-no porque entenderam a magnitude da tarefa que há pela frente. Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã são os maiores de nossas vidas - duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira num século.
Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos valentes que acordam nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para dar a vida por nós.
Há mães e pais que passarão noites em claro depois das crianças dormirem e se perguntarão como pagarão a hipoteca ou as facturas médicas ou como economizarão o suficiente para a educação universitária dos seus filhos.
Há novas fontes de energia para serem aproveitadas, novos postos de trabalho para serem criados, novas escolas para serem construídas e ameaças para serem enfrentadas, alianças para serem reconstruídas.
O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não consigamos num ano nem num mandato. No entanto, EUA, nunca estive tão esperançoso como estou esta noite de que chegaremos.
Prometo-vos que nós, como povo, conseguiremos.
Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou política minhas quando assumir a presidência. E sabemos que o Governo não pode resolver todos os problemas.
Mas, sempre serei sincero convosco sobre os desafios que nos afrontam. Ouvir-vos-ei, principalmente quando discordarmos. E, sobretudo, pedir-vos-ei que participem do trabalho de reconstruir esta nação, da única forma como foi feita nos EUA durante 221 anos, bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada sobre mão calejada.
O que começou há 21 meses em pleno inverno não pode acabar nesta noite de Outono.
Esta vitória em si não é a mudança que procuramos. É apenas a oportunidade para que façamos essa mudança. E isso não pode acontecer se voltarmos a como era antes. Não pode acontecer sem vós, sem um novo espírito de sacrifício.
Portanto façamos um pedido a um novo espírito do patriotismo, de responsabilidade, em que cada um se ajuda e trabalha mais e se preocupa não só com si próprio, mas cada um com o semelhante.
Lembremos que, se esta crise financeira nos ensinou algo, é que não pode haver uma Wall Street (setor financeiro) próspera enquanto a Main Street (comércio ambulante) sofre.
Neste país, avançamos ou fracassamos como uma só nação, como um só povo. Resistamos à tentação de recair no partidarismo, na mesquinharia e na imaturidade que intoxicaram nossa vida política há tanto tempo.
Lembremos que foi um homem deste estado que levou pela primeira vez à Casa Branca a bandeira do Partido Republicano, um partido fundado sobre os valores da auto-suficiência e da liberdade do indivíduo e da união nacional.
Estes são valores que todos compartilhamos. E enquanto o Partido Democrata conquistou uma grande vitória esta noite, fazemos com certa humildade e a determinação para curar as divisões que impediram nosso progresso.
Como disse Lincoln a uma nação muito mais dividida que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. Embora as paixões os tenham colocado sob tensão, não devem romper nossos laços de afecto.
E àqueles americanos cujo apoio eu ainda tenho de conquistar: pode ser que eu não tenha conquistado o seu voto hoje, mas ouço as suas vozes. Preciso de sua ajuda e também serei o seu presidente.
E a todos aqueles que nos vêem esta noite além das nossas fronteiras, em Parlamentos e palácios, a aqueles que se reúnem ao redor dos rádios nos cantos esquecidos do mundo: as nossas histórias são diferentes, mas o nosso destino é comum e começa um novo amanhecer de liderança americana.
Àqueles que pretendem destruir o mundo: vamos vencê-los. Àqueles que buscam a paz e a segurança: apoiamo-los.
E àqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda ilumina tão fortemente: esta noite demonstramos mais uma vez que a força autêntica da nossa nação vem não do poderio das nossas armas nem da magnitude da nossa riqueza, mas do poder duradouro dos nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.
Aí está a verdadeira genialidade dos EUA: que o país pode mudar. A nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos dá-nos esperança sobre o que podemos e temos que conseguir amanhã.
Estas eleições contaram com muitos inícios e muitas histórias que serão contadas durante séculos. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta. Ela parece-se muito com outros que fizeram fila para fazer com a que sua voz seja ouvida nestas eleições, excepto numa coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos. Nasceu apenas uma geração depois da escravidão, numa era em que não havia automóveis nas estradas nem aviões nos céus, quando alguém como ela não podia votar por dois motivos - por ser mulher e pela cor de sua pele. Esta noite penso em tudo o que ela viu durante o seu século nos EUA - a desolação e a esperança, a luta e o progresso, as vezes em que nos disseram que não podíamos e as pessoas que se esforçaram para continuar em frente com esta crença americana: Podemos.
Numa época em que as vozes das mulheres foram silenciadas e as suas esperanças descartadas, ela sobreviveu para vê-las serem erguidas, expressarem-se e estenderem a mão para votar. Podemos.
Quando havia desespero e uma depressão ao longo do país, ela viu como uma nação conquistou o próprio medo com uma nova proposta, novos empregos e um novo sentido de propósitos comuns. Podemos.
Quando as bombas caíram sobre o nosso porto e a tirania ameaçou ao mundo, ela estava ali para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Podemos.
Ela foi lá pelos autocarros de Montgomery, pelas mangueiras de irrigação em Birmingham, por uma ponte em Selma e por um pregador de Atlanta que disse a um povo: "Superaremos". Podemos.
O homem chegou à lua, um muro caiu em Berlim e um mundo se interligou através de nossa ciência e imaginação.
E este ano, nestas eleições, ela tocou num ecrã com o dedo e votou, porque após 106 anos nos EUA, durante os melhores e piores tempos, ela sabe como os EUA podem mudar.
Podemos.
EUA: avançámos muito. Vimos muito. Mas há muito mais por fazer. Portanto, esta noite vamos perguntar-nos se os nossos filhos viverão para ver o próximo século, se as minhas filhas terão tanta sorte para viver tanto tempo como Ann Nixon Cooper, que mudança virá? Que progresso faremos? Esta é nossa oportunidade de responder a esta chamada. Este é o nosso momento. Esta é nossa vez.
Para dar emprego ao nosso povo e abrir as portas da oportunidade para as nossas crianças, para restaurar a prosperidade e fomentar a causa da paz, para recuperar o sonho americano e reafirmar esta verdade fundamental, que, de muitos, somos um, que enquanto respirarmos, temos esperança.
E quando nos encontrarmos com o cepticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Podemos.
Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os Estados Unidos da América".
É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de escolas e igrejas num número como esta nação jamais viu, pelas pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas delas pela primeira vez nas suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que as suas vozes poderiam fazer esta diferença.
É a resposta dada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, deficientes ou não-deficientes. Americanos que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos simplesmente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de estados vermelhos e estados azuis.
Somos, e sempre seremos, os EUA da América.
É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem cépticos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História e torcê-lo mais uma vez em direcção à esperança de um dia melhor.
Demorou um tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA.
Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do senador McCain.
O senador McCain lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pelo país que ama. Aguentou sacrifícios pelos EUA que nem sequer podemos imaginar. Todos beneficiamos do serviço prestado por este líder valente e abnegado.
Felicito-o a ele e à governadora Palin por tudo o que conseguiram e desejo colaborar com eles para renovar o compromisso desta nação durante os próximos meses.
Quero agradecer ao meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com o coração e que foi o porta-voz de homens e mulheres com os quais cresceu nas ruas de Scranton e com os quais viajava de comboio de volta para sua casa em Delaware: o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden.
E não estaria aqui esta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga durante os últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle Obama.
Sasha e Malia amo-vos mais do que podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que vai connosco para a Casa Branca.
Apesar de não estar mais connosco, sei que minha avó está a verr-nos, junto com a família que fez de mim o que sou. Sinto falta deles esta noite. Sei que a minha dívida com eles é incalculável.
A minha irmã Maya, minha irmã Auma, meus outros irmãos e irmãs, muitíssimo obrigado por todo o apoio que me deram. Estou-vos grato a todos. E ao meu director de campanha, David Plouffe, o herói não reconhecido desta campanha, que construiu a melhor campanha política, creio eu, da história dos E.U. da América.
Ao meu estratega chefe, David Axelrod, que foi um parceiro meu a cada passo do caminho.
À melhor equipa de campanha formada na história da política. Vocês tornaram isto realidade e estou eternamente grato pelo que sacrificaram para conseguir.
Mas, sobretudo, não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a VÓS. Ela pertence-vos.
Nunca pareci o candidato com mais hipóteses. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos apoios. A nossa campanha não foi idealizada nos corredores de Washington. Começou nos quintais de Des Moines e nas salas de Concord e nas varandas de Charleston. Foi construída pelos trabalhadores e trabalhadoras que recorreram às parcas economias que tinham para doar US$ 5, ou US$ 10 ou US$ 20 à causa.
Ganhou força dos jovens que negaram o mito da apatia da sua geração, que deixaram para trás as suas casas e os seus familiares por empregos que lhes deram pouco dinheiro e menos sono.
Ganhou força das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio gelado e o ardente calor para bater às portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários e organizaram e demonstraram que, mais de dois séculos depois, um Governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra.
Esta é a VOSSA vitória.
Além disso, sei que não fizeram isto só para vencerem as eleições. Sei que não fizeram por mim.
Fizeram-no porque entenderam a magnitude da tarefa que há pela frente. Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã são os maiores de nossas vidas - duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira num século.
Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos valentes que acordam nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para dar a vida por nós.
Há mães e pais que passarão noites em claro depois das crianças dormirem e se perguntarão como pagarão a hipoteca ou as facturas médicas ou como economizarão o suficiente para a educação universitária dos seus filhos.
Há novas fontes de energia para serem aproveitadas, novos postos de trabalho para serem criados, novas escolas para serem construídas e ameaças para serem enfrentadas, alianças para serem reconstruídas.
O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não consigamos num ano nem num mandato. No entanto, EUA, nunca estive tão esperançoso como estou esta noite de que chegaremos.
Prometo-vos que nós, como povo, conseguiremos.
Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou política minhas quando assumir a presidência. E sabemos que o Governo não pode resolver todos os problemas.
Mas, sempre serei sincero convosco sobre os desafios que nos afrontam. Ouvir-vos-ei, principalmente quando discordarmos. E, sobretudo, pedir-vos-ei que participem do trabalho de reconstruir esta nação, da única forma como foi feita nos EUA durante 221 anos, bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada sobre mão calejada.
O que começou há 21 meses em pleno inverno não pode acabar nesta noite de Outono.
Esta vitória em si não é a mudança que procuramos. É apenas a oportunidade para que façamos essa mudança. E isso não pode acontecer se voltarmos a como era antes. Não pode acontecer sem vós, sem um novo espírito de sacrifício.
Portanto façamos um pedido a um novo espírito do patriotismo, de responsabilidade, em que cada um se ajuda e trabalha mais e se preocupa não só com si próprio, mas cada um com o semelhante.
Lembremos que, se esta crise financeira nos ensinou algo, é que não pode haver uma Wall Street (setor financeiro) próspera enquanto a Main Street (comércio ambulante) sofre.
Neste país, avançamos ou fracassamos como uma só nação, como um só povo. Resistamos à tentação de recair no partidarismo, na mesquinharia e na imaturidade que intoxicaram nossa vida política há tanto tempo.
Lembremos que foi um homem deste estado que levou pela primeira vez à Casa Branca a bandeira do Partido Republicano, um partido fundado sobre os valores da auto-suficiência e da liberdade do indivíduo e da união nacional.
Estes são valores que todos compartilhamos. E enquanto o Partido Democrata conquistou uma grande vitória esta noite, fazemos com certa humildade e a determinação para curar as divisões que impediram nosso progresso.
Como disse Lincoln a uma nação muito mais dividida que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. Embora as paixões os tenham colocado sob tensão, não devem romper nossos laços de afecto.
E àqueles americanos cujo apoio eu ainda tenho de conquistar: pode ser que eu não tenha conquistado o seu voto hoje, mas ouço as suas vozes. Preciso de sua ajuda e também serei o seu presidente.
E a todos aqueles que nos vêem esta noite além das nossas fronteiras, em Parlamentos e palácios, a aqueles que se reúnem ao redor dos rádios nos cantos esquecidos do mundo: as nossas histórias são diferentes, mas o nosso destino é comum e começa um novo amanhecer de liderança americana.
Àqueles que pretendem destruir o mundo: vamos vencê-los. Àqueles que buscam a paz e a segurança: apoiamo-los.
E àqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda ilumina tão fortemente: esta noite demonstramos mais uma vez que a força autêntica da nossa nação vem não do poderio das nossas armas nem da magnitude da nossa riqueza, mas do poder duradouro dos nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.
Aí está a verdadeira genialidade dos EUA: que o país pode mudar. A nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos dá-nos esperança sobre o que podemos e temos que conseguir amanhã.
Estas eleições contaram com muitos inícios e muitas histórias que serão contadas durante séculos. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta. Ela parece-se muito com outros que fizeram fila para fazer com a que sua voz seja ouvida nestas eleições, excepto numa coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos. Nasceu apenas uma geração depois da escravidão, numa era em que não havia automóveis nas estradas nem aviões nos céus, quando alguém como ela não podia votar por dois motivos - por ser mulher e pela cor de sua pele. Esta noite penso em tudo o que ela viu durante o seu século nos EUA - a desolação e a esperança, a luta e o progresso, as vezes em que nos disseram que não podíamos e as pessoas que se esforçaram para continuar em frente com esta crença americana: Podemos.
Numa época em que as vozes das mulheres foram silenciadas e as suas esperanças descartadas, ela sobreviveu para vê-las serem erguidas, expressarem-se e estenderem a mão para votar. Podemos.
Quando havia desespero e uma depressão ao longo do país, ela viu como uma nação conquistou o próprio medo com uma nova proposta, novos empregos e um novo sentido de propósitos comuns. Podemos.
Quando as bombas caíram sobre o nosso porto e a tirania ameaçou ao mundo, ela estava ali para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Podemos.
Ela foi lá pelos autocarros de Montgomery, pelas mangueiras de irrigação em Birmingham, por uma ponte em Selma e por um pregador de Atlanta que disse a um povo: "Superaremos". Podemos.
O homem chegou à lua, um muro caiu em Berlim e um mundo se interligou através de nossa ciência e imaginação.
E este ano, nestas eleições, ela tocou num ecrã com o dedo e votou, porque após 106 anos nos EUA, durante os melhores e piores tempos, ela sabe como os EUA podem mudar.
Podemos.
EUA: avançámos muito. Vimos muito. Mas há muito mais por fazer. Portanto, esta noite vamos perguntar-nos se os nossos filhos viverão para ver o próximo século, se as minhas filhas terão tanta sorte para viver tanto tempo como Ann Nixon Cooper, que mudança virá? Que progresso faremos? Esta é nossa oportunidade de responder a esta chamada. Este é o nosso momento. Esta é nossa vez.
Para dar emprego ao nosso povo e abrir as portas da oportunidade para as nossas crianças, para restaurar a prosperidade e fomentar a causa da paz, para recuperar o sonho americano e reafirmar esta verdade fundamental, que, de muitos, somos um, que enquanto respirarmos, temos esperança.
E quando nos encontrarmos com o cepticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Podemos.
Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os Estados Unidos da América".