quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz

tão amigos que eles são


"Os políticos e as fraldas dos bebés devem ser mudados com frequência e pelas mesmas razões"
Eça de Queiroz
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Terminou a guerra no PSD.
Ferreira Leite ganhou, com 37%. Passos Coelho foi aos 31% e Santana Lopes ficou desta vez acima do último (o 'notável' Patinha Antão, que quase chegava a 1%.
Na campanha eleitoral, chamaram-se do pior uns aos outros. Manuela lembrava a galfarrada do santanismo, Santana recordava que Manuela atraiçoa o partido sempre que lhe convém, Passos combatia o caciquismo dos outros dois, Patinha dizia contra os outros três o piorio de que ninguém tomou nota.
Terminou a guerra, tão porca como costumam ser estas coisas próprias de um grupo de bons e leais companheiros cujo chefe cessante identifica como "canalha".
Saldo? "O partido sai reforçado", diz a nova leader. Bravo!
A imprensa que lá esteve diz mais ou menos o mesmo:
"Apesar dos resultados que revelam um equilíbrio algo instável, Manuela Ferreira Leite optou por fazer um discurso de vitória onde o apelo à unidade interna passou para segundo plano. A líder eleita atirou, com destinatários certos: "Começámos há um mês com um partido sem credibilidade (...) Manuela Ferreira Leite também não saudou os seus adversários nas eleições directas, tendo preferido elogiar os 'companheiros' que concorreram consigo, 'companheiros há muito desinteressados da vida partidária'."
Diário de Notícias on line, 1.Jun.2008
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Vencedor, vencedor, há-de proclamar-se, um dia destes, aquele a quem dentro da família chamavam "enfant terrible" - quando ainda se acreditava que poderia ser terrible.
Estudando bem as conspirações que costuma encontrar sempre que lhe acontece aquilo a que o senso comum chama de derrota da asneira, Santana é enfant para se candidatar a leader de bancada do 'sonho de PPD' que é o autêntico sucessor de Sá Carneiro, dirá ele.
Os laranjas fundanenses, pelo menos, apoiaram-no. Pelo menos até ontem. Depois de ontem, é de esperar vê-los reincidir no democrático acto de contrição de há seis meses (apoiaram Marques Mendes na batalha campal para exorcizar do partido o satanás Menezes... e logo de seguida 'lembraram' que com o vencedor Menezes é que sim, é que estavam, é que devia estar todo o bom social-democrata.
Também eles, os laranjas da minha terra, hão-de achar-se vencedores: a facção a que pertenciam ficou em último lugar na anterior eleição e desta vez a sua nova facção conseguiu ficar em penúltimo, aliás bem acima do tal candidato que quase chegava a 1%. Vitória, portanto, de quem 'subiu' de último para penúltimo, que é como quem diz de 2º para 3º lugar. Vitória, até porque hoje é apenas 1 de Junho - e no dia 2 teremos os laranjas fundanenses em peso a afirmarem que afinal é em Manuela Leite que eles sempre se reviram. Até porque a distrital não apoiou nenhum dos candidatos, o que, na boa linguagem deles, significa exactamente que estavam todos de alma e coração com a vencedora Ferreira Leite. Pois não é óbvio que não apoiar nenhum dos candidatos significa que com toda a verticalidade sabiam bem o que queriam?
O partido estará unido já amanhã - que ninguém se preocupe. Para o ano há eleições. Também no nosso distrito, há quem nunca tenha sido deputado e já reclame merecê-lo. Também por cá, há quem já tenha estado na A.R. mas já reclame merecer Estrasburgo.
O partido estará unido já amanhã. Para o ano há eleições - e muito desemprego em jogo.