quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz

Verdadeiro achado neste Verão. O Maranhão tem tudo o que procura quem se cansou do turismo de pacote de um "primeiro mundo" decrépito e autofágico.

À porta da Amazónia (em quase tudo o que o pulmão do mundo tem de bom), o Maranhão tem claramente as costas voltadas para as vizinhas regiões do turismo brasileiro de hipermercado que se vende em Natal, Fortaleza, etc.

Ambiente e Património tornam imperdível este vasto canto do "meio-norte" brasileiro, onde até a romântica capital São Luis e a ilha em que se implanta estão bem conservadas.

São Luis é Património Mundial classificado pela UNESCO.

Cidade tranquila e acolhedora, faz da cultura rainha venerada e motor de desenvolvimento.

Os "casarões" e os "sobrados" das ruas estreitas e inclinadas (por vezes com os degraus que fazem lembrar Coimbra) são uma marca deixada pela perfeita mistura do império português e do classissismo francês com os traços da cultura autóctone, que nunca perderam a dignidade nem abdicaram da sua própria identidade.

Os Lençóis Maranhenses

Sai-se de São Luis e, por um percurso cheio de motivos para a câmara de video registar e a memória nunca mais perder, vai-se até à imperdível região de Barreirinhas - portal de acesso aos lençóis maranhenses, a jóia natural do estado.

Paraíso imenso, impecavelmente guardado de veículos, bicicletas, pranchas e lixo, estamos noutro mundo quando nos afoitamos pelos lençois maranhenses, centenas de lagoas de água doce numa extensão de 155.000 hectares. O parque dos lençóis está classificado como Património da Humanidade.

De Barreirinhas, sai-se num "pau-de-arara", tractor com bancos corridos na caixa de carga. Atravessa-se numa balsa o rio abundante de margens "vedadas" pela vegetação de mangue, que mais parece uma imensa sebe plantada no leito do rio. Continua-se, em piso de areia macia, pelo meio do mangue selvagem e imponente (faz lembrar África...). Depois de quarenta e cinco minutos de aventura, a vegetação cessa subitamente... e chegámos à porta dos lençóis maranhenses. Pode-se conquistar todo, desde que a pé e sem transportar ferramentas nem deixar o ínfimo resíduo. Adiante, uma imensidão de dunas claras e lagoas azuis.

Deserto povoado de imensas lagoas azuis? "Mar" interior, de água doce e mil dunas de areia macia e branca? Talvez ambos - e o orgulho de todos os maranhenses, velhos e novos, letrados e analfabetos. Ninguém permite que a natureza seja perturbada. Caminhar pelas dunas e descer para mergulhar nas extensas lagoas auis e cristalinas é fugir de um planeta que o Homem amaldiçoou. A vista aérea é um assombro:

Indispensável ver e sentir de perto, lá em baixo.

Indescritível a experiência de caminhar por aquelas dunas e nadar naquelas lagoas...