Foi quebrado, desmantelado e enterrado, como todos os outros, pelos escravos libertados pela abolição. Graças à revelação de uma mãe escrava, foi localizado, desenterrado e recuperado para preservar a história

A natureza magnânime, o património histórico valioso e a bonomia da população envolvem-nos de tal modo que pensamos ter chegado a um resto do paradisíaco planeta que nos parecia remoto.
Mas o conhecimento mais próximo do presente de Alcântara leva-nos até factos que merecem reflexão, como têm merecido a preocupação de brasileiros a quem a História desperta inquietações.
Cheguei a Alcântara no segundo domingo de Agosto, de modo que encontrei os alcantarenses no epílogo dos 4 dias da festa de S. Benedito, padroeiro dos escravos. Festejei com eles - que alegres bebedeiras, senhores! - e pude assistir à festa da comunidade do cajueiro, mantida tal como os escravos a faziam no dia do padroeiro: homens nos tambores, mulheres a dançar, um ambiente africano a lembrar as origens dos mártires dos negreiros. Parecia estarmos noutro mundo, mais puro, mais humano.
E o que é o futuro desta gente e destes costumes. Aqui vêm descobertas mais sombrias. Descobrimos a base espacial brasileira, instalada no município. Visitei-a para saber como era. Depois, lembrei-me da conversa que tivera com um técnico agroambiental de uma ONG no barco que me levou a Alcântara. Cheguei até um texto que me deu a outra perspectiva da vida de um povo que me calou o coração. Vai no final, em apêndice.