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O Sentimento de um Ocidental
Passaram 150 anos do nascimento de Cesário Verde. Escreveu um livro (“O Livro de Cesário Verde”) morreu cedo, mas os versos que deixou fê-lo “poeta dos poetas” e levou Pessoa a celebrá-lo de uma forma definitiva para todo o sempre: “Oh Cesário Verde! Oh Mestre!”
A grandeza de Cesário colhe-se na sua criação poética que ainda hoje inquieta e emociona. Basta ler O Sentimento de um Ocidental para percebermos que a poucos conferiram os deuses esse dom de existirem para a eternidade. Não há poeta, como ele, onde tão bem se pressinta a espessura do tempo e a cidade e o campo. E, sobretudo, a dimensão humana das coisas, as pessoas, o drama aflorado no quotidiano, como canto superior da poesia portuguesa.
(…)
Quem pode ser indiferente a quem escreve assim:
. - . - . "Nas nossas ruas ao anoitecer,
. - . - . - Há tal soturnidade, há tal melancolia,
. - . - . - Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
. - . - . - Despertam um desejo absurdo de sofrer"
(…)
(Fernando Paulouro Neves, Jornal do Fundão de 4.Mar.2005)