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Fazem-se ao longo da vida umas interrogações. Procuram-se respostas - muitas vezes junto de quem se tem perto (da mão e/ou do coração) e quantas outras no meio dessa magnífica musicalidade que é o Silêncio. Arrumam-se e desarrumam-se as inquietações numa folha de papel, celulósico ou digital. E, feito o diálogo, quantas vezes ficamos contentes... mas tão poucas satisfeitos.
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Descobrimos que é boa, essa insatisfação permanente - e melhor quando é crescente. Parece paradoxal, mas é assim que geralmente acontece.
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Depois, lemos os outros - nos olhos ou nos livros. A inquietação insatisfaz-se, mas a insatisfação aquieta-se. Saudavelmente, descobrimos também.
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Um dia, questionamo-nos se os nossos apontamentos devem quedar-se no autismo. E surge-nos a dúvida sobre a legítima propriedade do que pensamos e escrevemos. Quem o fabricou? A quantas dádivas o fomos beber? Em suma: quem pensou por nós aquilo a que nos limitámos a dar forma?
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Torna-se mister, então, devolver ao Mundo o que o Mundo nos emprestou - dar à Vida o que a Vida nos oferece.
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O que escrevemos mereceria, por certo, permanecer no silêncio. Mas não o merecem aqueles que nos ensinaram - seria usurpação. Nem o íntimo do nosso pensamento - seria ingratidão.
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Aqui vai, por isso e a partir de hoje, o gotejar desta partilha que a torrente da convivência cedeu ao meu verbo - por depósito.
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Caricatura ou máscara - que nunca retrato - as ideias recebidas dos outros passarão a palavras aqui restituídas. E as interrogações serão divididas, para que as inquietações se multipliquem.
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Einstein disse: "Learn from yesterday, live for today, hope for tomorrow. The important thing is not to stop questioning."
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Haja quadratim - letra vazia para a palavra completa.
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Adiante a inquietação.