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O jornal i pregou-lhe a partida de o entrevistar, revelou a fotografia do que ficou depois de retirado o capacete e redundou com a maldade de lhe revelar o próprio nome na 1ª página. Tragédia consumada. Bastou a caixa - uma só frase.
"O Estado não
tem vocação para gerir instituições sociais".
Perguntar a este indivíduo o que é para ele o Estado poderia ser tão néscio, tão perverso e tão sinistro como a própria afirmação do interpelado.
Fizeram-no ministro. Chega a vir-nos vergonha de desmascararmos a indecência perguntando para que sente ele a tal vocação "pública".
É preciso estóica paciência para viver aqui e agora...!
Editorial
A vida observa-se
os olhos abrem-se
os néscios governam
os valores ignoram-se
a ética despreza-se
a prepotência impõe-se
os sensatos dispensam-se
os sábios ostracizam-se
as dúvidas evitam-se
as perguntas rechassam-se
os escrúpulos afrouxam
a vergonha perde-se
os lugares distribuem-se
o mérito subestima-se
os talentos desperdiçam-se
as desculpas inventam-se
as justificações forjam-se
os compadres entendem-se
os afilhados ajeitam-se
os oportunistas seduzem-se
os salários congelam-se
as avenças engordam-se
os iníquos vangloriam-se
a mentira proclama-se
os ministros favorecem
os deputados aproveitam
os autarcas enriquecem
e todos se corrompem
o protesto silencia-se
a oposição humilha-se
a denúncia abafa-se
a indignação persegue-se
a revolta arrasa-se
os interesses calam-se
os interessados compactuam
a promiscuidade instala-se
os cinzentos calam-se
os mansos conformam-se
os fracos rendem-se
os espertos vendem-se
a propaganda especializa-se
a fachada institui-se
as premissas baralham-se
os custos sonegam-se
os resultados inventam-se
a fraude aceita-se
a prosápia acata-se
o embuste decreta-se
os neófitos apressam-se
as influências traficam-se
os direitos usurpam-se
as obrigações incumprem-se
os bens empenham-se
as dívidas crescem
o passado salda-se
o presente liquida-se
o futuro hipoteca-se
os desiludidos demitem-se
a ambição descontrola-se
a vaidade desnorteia-se
os ávidos promovem-se
os ávidos ratificam-se
os ávidos aplaudem-se
os ávidos compensam-se
e recompensam-se
os ávidos rivalizam
os esbirros traem
os cúmplices desmarcam-se
os mandaretes desmacaram-nos
as línguas desprendem-se
e a marosca revela-se
os ombros encolhem-se
os injustiçados cansam-se
os honrados indignam-se
os corajosos revoltam-se
o escândalo rebenta
a barca abandona-se
as culpas assobiam-se
e a vida continua