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30 Novembro 2011



Os 'Mercados' tudo resolvem
Análises, relato, blá-blá para quê? Em 3 linhas, com o lembrar de três simples factos, sabe-se tudo:
Facto Primeiro: A Bélgica está a chegar ao 18º mês sem governo;
Facto Segundo: Há 18 meses a Bélgica tinha contas públicas de pantanas e dívida externa descomunal;
Facto Terceiro: A Bélgica é o país da U.E. com menos austeridade e melhores resultados económicos nestes 18 meses.

Surpreenda-se quem quiser, agora. Ou pior, porque à 1ª qualquer cai, à 2ª só quem quer e à 3ª...
Não digo o que isto tem que ver com o diálogo que a seguir inconfidencio. Diálogo entre o Patrão-de-todos-os-farsolas (Pdtof) e o Assessor-contratado-para-Esbirro (AccE), com duas amibas a assistir.



O Diálogo
Pdtof – Anarquia?! Mas quem me pediu autorização?
AccE – Tem razão, chefe [ele disse Chefe], aqueles gajos não respeitam a ordem [ele disse Ordem]. Estão a pedir porrada [ele disse Porrada], não merecem a consideração de ninguém [e ele disse Ninguém].
Pdtof – Qual quê! Cale-se, homem, você é um ignorante, pá.
AccE – Tem razão, chefe.
Pdtof – Qual quê! Cale-se, homem, você é um ignorante, pá.
AccE – Tem razão, chefe… [seguido de silêncio violentamente abstinente]
Pdtof – Cale-se! Chame-me imediatamente a Meister Reiche Dame öhne sein Arbeit (MeRDosA) e o outro, esse tal de Pou ultra Liberale Haute Anormalité (PuLHA)
AccE – Tem razão, chefe. É para já, chefe.
(sopra os mindinhos aos cantos da boca e entram as duas amibas)
MeRDosa – Hallo chefe, heil chefe!
PuLHA – Salut chefe, alô chefe.
Pdtof – A porra dessa união que vos entreguei não faz uma merda? O que é que fazemos àqueles badamecos armados em anarquistas, pá?! Quem os dirige? O garoto a mijar na direção do caminho certo?
MeRDosa – Ya chefe, Yawol chefe.
PuLHA – Ya chefe, Salut chefe.
AccE – O que é que eles estão a pedir? Vá, digam lá vocês, gaita! Quero que sejam vocês a dizer!.
MeRDosa – Ein Tecnokrat, chefe.
PuLHA – Un tecnocrate, chefe… Deux tecnocrates, chefe.
Pdtof – Vocês não percebem nada da porra da vossa união! Diga lá você, pá!
AccE – Tem razão, chefe. Os gajos precisam é dos mercados [ele disse Mercados], chefe. Primeiro os mercados, chefe!.
MeRDosa – Ya! Yawol chefe.
PuLHA – Ya! Salut chefe.
Pdtof – Vêem… Estão a ver? É fácil o consenso, quando debatemos como deve ser!

Editorial


A vida observa-se
os olhos abrem-se

os néscios governam
os valores ignoram-se
a ética despreza-se
a prepotência impõe-se

os sensatos dispensam-se
os sábios ostracizam-se
as dúvidas evitam-se
as perguntas rechassam-se

os escrúpulos afrouxam
a vergonha perde-se

os lugares distribuem-se
o mérito subestima-se
os talentos desperdiçam-se
as desculpas inventam-se
as justificações forjam-se
os compadres entendem-se
os afilhados ajeitam-se
os oportunistas seduzem-se

os salários congelam-se
as avenças engordam-se
os iníquos vangloriam-se
a mentira proclama-se

os ministros favorecem
os deputados aproveitam
os autarcas enriquecem
e todos se corrompem

o protesto silencia-se
a oposição humilha-se
a denúncia abafa-se
a indignação persegue-se
a revolta arrasa-se

os interesses calam-se
os interessados compactuam
a promiscuidade instala-se
os cinzentos calam-se
os mansos conformam-se
os fracos rendem-se
os espertos vendem-se

a propaganda especializa-se
a fachada institui-se
as premissas baralham-se
os custos sonegam-se
os resultados inventam-se
a fraude aceita-se
a prosápia acata-se
o embuste decreta-se

os neófitos apressam-se
as influências traficam-se
os direitos usurpam-se
as obrigações incumprem-se
os bens empenham-se
as dívidas crescem
o passado salda-se
o presente liquida-se
o futuro hipoteca-se

os desiludidos demitem-se
a ambição descontrola-se
a vaidade desnorteia-se

os ávidos promovem-se
os ávidos ratificam-se
os ávidos aplaudem-se
os ávidos compensam-se
e recompensam-se

os ávidos rivalizam

os esbirros traem
os cúmplices desmarcam-se
os mandaretes desmacaram-nos
as línguas desprendem-se
e a marosca revela-se

os ombros encolhem-se
os injustiçados cansam-se
os honrados indignam-se
os corajosos revoltam-se
o escândalo rebenta
a barca abandona-se
as culpas assobiam-se
e a vida continua
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