Quando o Povo lhes vai às ventas
Cavaco não dominou a besta que é o seu ego político – e pôs a
nu que em matéria de sensibilidade social e sentido de Estado ele e o farsola
têm muito pouco em comum para além da sigla que os amarra à mesma classe
patronal. Mas isso não adiantaria nem atrasaria ao destino dos portugueses se
não fossem eles quem a Europa pôs no poder.
A Europa de Merkel e Zarkozy está tão preocupada com o iminente
default dos países do sul como com a meteorologia do Burkina Fasso. Mas isso em
nada afetaria os portugueses se a devastação de Portugal estivesse apenas nas
mãos do FMI.
As medidas de arrasamento económico e escravidão social impostas
pela troika nunca na História solucionaram crises. Mas isso não bastaria para arruinar
Portugal se o Governo do farsola tivesse uma estratégia económica e financeira.
Vitor Gaspar não tem a menor ideia de que a obsessiva tara de arruinar o Estado para
salvar os luxos e os privilégios do capitalismo selvagem assenta na religião de
uma corrente neo-liberal caduca e desmentida pela Ciência e pela História, por
incompatível com a equidade, as regras do Estado de Direito e do humanismo da
civilização contemporânea e o equilíbrio social que são pressuposto da
governação dos povos. Mas isso não seria suficiente para assassinar o País e a
Nação portugueses se em Portugal não estivesse instalada uma classe de
políticos predadores do bem comum à custa do oportunismo e do compadrio
protegidos por verdadeiras mafias corporativas.
*
Os autarcas, políticos profissionais e demais tachistas reunidos na gigantesca associação criminosa que domina Portugal sublimam a incompetência (de nada terem feito na vida senão a graxa, o compadrio e o lobbing político) com a acumulação de mordomias, privilégios e arranjinhos com que se ajeitam entre si – e o consequente locupletamento ladroeiro à custa do erário público. Mas isso não acordaria o Povo se não sofresse a ladroagem mais que na pele e já no osso.
Os autarcas, políticos profissionais e demais tachistas reunidos na gigantesca associação criminosa que domina Portugal sublimam a incompetência (de nada terem feito na vida senão a graxa, o compadrio e o lobbing político) com a acumulação de mordomias, privilégios e arranjinhos com que se ajeitam entre si – e o consequente locupletamento ladroeiro à custa do erário público. Mas isso não acordaria o Povo se não sofresse a ladroagem mais que na pele e já no osso.
O Povo português é ordeiro, pacífico e resignado. Mas isso não o levaria da
indignação à irritação se todos os pressupostos mínimos da decência não
estivessem já a ser grosseiramente violados pela corja no poder.
E é por isso que aqueles que toda a vida lutaram pela cidadania, pelo debate de ideias,
pela vitória do pensamento e da palavra justos – já sentem um justiceiro gozo
diante desta realidade cada vez mais evidente e iminente: A POPULAÇÃO VAI
COMEÇAR A ESPERAR OS POLÍTICOS DA TRAFULHICE PROFISSIONAL À PORTA DE SÃO BENTO
E NO TERREIRO DEO PAÇO PARA LHES IR ÀS VENTAS!
E nesse dia, que já se
avizinha, havemos de ser muitos mais a rir. Pobres mas livres.





