os néscios governam os valores ignoram-se a ética despreza-se a prepotência impõe-se
os sensatos dispensam-se os sábios ostracizam-se as dúvidas evitam-se as perguntas rechassam-se
os escrúpulos afrouxam a vergonha perde-se
os lugares distribuem-se o mérito subestima-se os talentos desperdiçam-se as desculpas inventam-se as justificações forjam-se os compadres entendem-se os afilhados ajeitam-se os oportunistas seduzem-se
os salários congelam-se as avenças engordam-se os iníquos vangloriam-se a mentira proclama-se
os ministros favorecem os deputados aproveitam os autarcas enriquecem e todos se corrompem
o protesto silencia-se a oposição humilha-se a denúncia abafa-se a indignação persegue-se a revolta arrasa-se
os interesses calam-se os interessados compactuam a promiscuidade instala-se os cinzentos calam-se os mansos conformam-se os fracos rendem-se os espertos vendem-se
a propaganda especializa-se a fachada institui-se as premissas baralham-se os custos sonegam-se os resultados inventam-se a fraude aceita-se a prosápia acata-se o embuste decreta-se
os neófitos apressam-se as influências traficam-se os direitos usurpam-se as obrigações incumprem-se os bens empenham-se as dívidas crescem o passado salda-se o presente liquida-se o futuro hipoteca-se
os desiludidos demitem-se a ambição descontrola-se a vaidade desnorteia-se
os ávidos promovem-se os ávidos ratificam-se os ávidos aplaudem-se os ávidos compensam-se e recompensam-se
os ávidos rivalizam
os esbirros traem os cúmplices desmarcam-se os mandaretes desmacaram-nos as línguas desprendem-se e a marosca revela-se
os ombros encolhem-se os injustiçados cansam-se os honrados indignam-se os corajosos revoltam-se o escândalo rebenta a barca abandona-se as culpas assobiam-se e a vida continua